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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A CONTRAGOSTO

        O Acre é a terra de Chico Mendes, amada figura de resistência contra a defloração da mata amazônica. Essa aí é a linha defendida por alguns acreanos, todos os petistas e qualquer ambientalista. Aproveite o mesmo Acre e ouça a versão do povo. Verá que a idolatria passa ser reduzida e contestável. Mas o estado está presente com todos os mimos ao heróico personagem.
       Falei do Acre mas meu objeto de estudo não é outro senão o DIA MUNDIAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA. Alguém logo cita “E o sistema de cotas para negros nas faculdades?” – Cara, isso é polêmico mais que tudo e errado desde criança. Primeiro porque não temos como definir quem é negro e quem não é, tanto por ciência como pela lógica. Vamos na cor? Piorou! A melanina não vai ajudar, Brasil é a pátria da suruba, todos os povos se juntaram aqui e agora não há negro, branco, índio. Todo mundo comeu todo mundo e se o estado quiser 100% branco, 100% negro, 100% índio, 100% qualquer etnia. O estado se fudeu. Vai ficar no zero a zero. [...]

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sábado, 15 de novembro de 2008

VENDER É UM MISTÉRIO


Como assalariado não tenho direito a fazer compras em horário comercial, mas confesso que fui sim ao centro comprar uma papete da GOOK cuja seguência mando logo abaixo.

Na primeira loja (Tempos atrás já comprei esse produto lá) eu entrei e as três atendentes conversavam. Pois não - disse uma delas - Quero uma Gook fechada - falei - Não têm - respondeu a menina. Olhei sério para ela, estava desconfiando desse "não tem" mais do que tudo. Ela me levou aos fundos e lá tinha sim, não tinha da preta como eu queria. Ela anteriormente pensava que só tinha dessas de dedo. Se não fosse minha reprovação iria ficar por isso mesmo. Enfim, dei tchau para a moça e me mandei para outra loja.

Na segunda loja, entrei e fui abordado logo na entrada, mas só fisicamente, pois quem deu a iniciativa do Boa Tarde fui eu (Parece tão pouco, não?). Reconheci o atendente, era um cara que eu não via há alguns anos. Perguntei das Gook ele me mostrou que só tinha dessas de dedo, "Fechada não vai ter". Tudo bem. Apertei a mão do indivídio, ele só deu a mão, apertar para mim é transmitir energia, só entregar a mão é deprimente. Deixemos o deprimente por lá, vamos à outra loja.

A terceira loja, assim como as outras, tinha Gook mas só de chinelo. Não tenho do reclamar do atendimento desta terceira loja. Apenas não fedeu.

Quarta loja é uma bem varejão, gasta horrores em propaganda bem popular e até uns dias desses jogava papel picado na loja. Fui de uma ponta a outra, não tinha o produto que eu queria, até aí não é problema, pensei que fosse um self-service, mas mesmo que fosse, até nos restaurantes por quilo há quem diga "Em que posso ajudar?" ou coisa do tipo. Lá havia muito vendendor, pouco comprador e na prática nenhuma iniciativa.

Fui na última e lá ouvi bom dia, pedi o que tinha e a moça rápido me deu duas opções do mesmo produto. Ela polivalente tentou me empurrar uma carteira também, eu queria, mas o preço que ela oferecia não me permetia. Te dou um desconto bom - disse - Nada feito - retruquei.

Estou com minha papete em mãos, digo, nos pés. E ciente do quanto estamos atrasados na hora de vender. Vender é algo tão sagrado, tão difícil, tão humano e por que falhamos tanto? Penso que vender não é pra quem quer, é pra quem pode. Existe sim, um poder na venda, posso apostar que é uma mística. Pode inventar técnicas e elas ajudam e muito, mas um vendendor na realidade é algo de longe, um humano diferente. O chato é que tem muita oferta de emprego para o comércio, todo produto tem que ser escoado para o consumidor final. Fim de história, a figura de vendendor de algo sagrado vira coisa banal. Então o vendendor não diz que é vendendor, ele se julga ESTAR vendendor. "Assim que der vou sair dessa", esse argumento fica explícito na falta de bom dia, na falta do conhecimento do que tem na loja, no medo de levar o não...

"Quando se faz seleção de vendas, os grandes diferenciais são talento, experiência e vontade de trabalhar" EDUARDO BOTELHO

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Dr. House - o meu porquê

Se nos vermos a partir de duas vezes e passarmos do estágio de oi, bom dia, como vai, tudo bem e cia, antes mesmo de partirmos para algum grau de intimidade é provável que eu comente com você algo relativo ao rapaz da foto, Dr. House. Por que gosto tanto da série? A resposta imediata será: por contradição.

Antes eu dizia que novela, série e adjacências não eram feitas pra mim. Filme, teatro e web você assiste e logo está tudo resolvido. Material feito por capítulo, não. É necessário uma fidelidade de sentar todo o santo dia no mesmo bate horário, pra mim era pedir muito.Era!

Um dia estou na sala e meu irmão coloca em um canal, vejo no televisor um rapaz aleijado, rabugento, que manda em todo mundo e outras coisas mais. Dali em diante, toda pompa de declarar-me alheio a séries caiu por terra, pior, fiz foi viciar.Tudo porque Dr. House tem uma química louca. Televisivos cujo cenário é hospital estamos fartos de ver (ou não mais), mas a força dessa série está toda centrada no personagem mó, Dr. Gregory House, ele é sociopata, infeliz e irônico. Aproveitando a oportunidade, olhe dentro de você e me diga bem honestamente, quem não é sociopata?

O problema é por aí mesmo, não temos direito a escolha, é só sermos seres vivos que antes mesmo de recebermos um nome já assumimos uma presença e participação social. Isso é bom, mas enche o saco. É chato não poder mandar tal pessoa tomar no lugar escolhido, quando esta faz por merecer (muitas vezes até do pior jeito), é chato ser bom, é chato pensar besteira, é chato ser mau, é bom viver e como é chato assumir tantas partes chatas. Têm quem não goste de irônias, pra mim, são sempre fenômenos de inteligência (nem que seja só dialética).

Sou fã das mentes que bolam o conteúdo, suspeito que eu fosse capaz de pagar para pertencer a troupe.

Afirmo que Doutor House é um material repleto de diálogos inteligentes, psicologia barata e tiradas interessantes. Pra nossa sorte, o personagem que dá nome a série é pura mentirinha, na prática ser nenhum estaria em bom lençois com tal figura por perto. Outra coisa boa de dizer é que Doutor House é bom de ver porque é um retrato de um pedacinho de todos nós. Somos todos frágeis (obrigatoriamente resistentes) e não gostamos de identificar nossas fraquezas nem pra nós, nem para sociedade. Ei, não posso terminar sem contar o principal:

- Todo mundo mente.